A trama gira em torno de Ruth, a personagem de Alison Brie, uma mulher frustrada com a carreira de atriz que nunca decola e que permite que sua insegurança paute seus relacionamentos afetivos. A primeira cena da série é, curiosamente, uma das melhores da temporada inteira: Ruth, durante um teste de elenco, lê um texto poderoso e, após agradecer ter sido chamada para uma personagem feminina forte, é alertada que estava lendo as falas do personagem masculino por engano. Uma abertura estimulante que acaba fazendo com que o desenvolvimento de Ruth seja, de certa forma, decepcionante.
Em resumo, a protagonista tem dois eixos na trama: sua jornada para se tornar uma atriz reconhecida e sua relação conturbada com a ex-melhor amiga Debbie, interpretada por Betty Gilpin. O único traço realmente bem desenvolvido em Ruth é sua insegurança quase patológica, fruto em parte de uma autoestima minada pelo desprezo profissional. Ruth sofre para pagar as contas, sofre com as oportunidades medíocres de trabalho e sofre pelas escolhas amorosas complicadas.
A jovem transa com o marido sem sal de Debbie, Mark (Rich Sommer) após investidas pífias que só surtem resultado graças a um pico insegurança na vida da moça. É uma premissa que garante humanidade para a protagonista: ela não é simplesmente alguém que erra ou acerta, mas alguém que tem um background e que é falível como todo ser humano, em maior ou menor escala. O problema é que isso não evolui para nada. A relação entre Ruth e Debbie orbita ao redor de Mark, um sujeito extremamente desinteressante física e intelectualmente, do primeiro ao último episódio.